Latest Entries »

Ãrvore ensolarada

O Brasil inteiro deveria… Deve conhecer os trabalhos musicais maravilhosos desta artista, a Vanessa Croge.
Mais a respeito em:
https://vanessacroge.wordpress.com/

Existirá

Em todo porto tremulará

A velha bandeira da vida

Acenderá

Todo farol iluminará

Uma ponta de esperança

 

E se virá

Será quando menos se esperar

Da onde ninguém imagina

Demolirá

Toda certeza vã

Não sobrará

Pedra sobre pedra

 

Enquanto isso

Não nos custa insistir

Na questão do desejo

Não deixar se extinguir

Desafiando de vez a noção

Na qual se crê

Que o inferno é aqui

 

Existirá

E toda raça então experimentará

Para todo mal, a cura

 

Existirá

Em todo porto se hastiará

A velha bandeira da vida

Acenderá

Todo farol iluminará

Uma ponta de esperança

 

E se virá

Será quando menos se esperar

Da onde ninguém imagina

Demolirá

Toda certeza vã

Não sobrará

Pedra sobre pedra

 

Enquanto isso

Não nos custa insistir

Na questão do desejo

Não deixar se extinguir

Desafiando de vez a noção

Na qual se crê

Que o inferno é aqui

 

Existirá

E toda raça então experimentará

Para todo mal, a cura.

1

Seria a opressão tão antiga quanto o musgo dos lagos?

Não se pode evitar o musgo dos lagos.

Seria tudo o que vejo natural, e estaria eu doente, ao desejar remover o irremovível?

Li canções dos egípcios, dos homens que construíram as pirâmides.

Quei­xavam-se do seu fardo e perguntavam quando terminaria a opressão.

Isto há quatro mil anos.

A opressão é talvez como o musgo, inevitável.

 

2

Se uma criança surge diante de um carro, puxam-na para a calçada. Não

o homem bom, a quem erguem monumentos, faz isso.

Qualquer um retira a criança da frente do carro.

Mas aqui muitos estão sob o carro, e muitos passam e nada fazem.

Seria porque são tantos os que sofrem? Não se deve mais ajudá-los, por serem tantos? Ajudam-nos menos.

Também os bons passam, e continuam sendo tão bons como eram antes de passarem.

 

3  

Quanto mais numerosos os que sofrem, mais naturais parecem seus sofrimentos, portanto. Quem deseja impedir que se molhem os peixes do mar?

E os sofredores mesmos partilham dessa dureza contra si e deixam que lhes falte bondade entre si.

É terrível que o homem se resigne tão facilmente com o existente, não só com as dores alheias, mas também com as suas próprias.

Todos os que meditaram sobre o mau estado das coisas recusam-se a apelar à compaixão de uns por outros. Mas a compaixão dos oprimidos pelos oprimidos é indispensável.

Ela é a esperança do mundo.

German-born writer, Berthold Brecht, is shown as he appeared before the House Un-American Activities Committee in Washington, D.C., on October 30, 1947.  Brecht told investigators he was not and had never been a member of any communist party.  (AP Photo/HLG)

Texto em http://www.nicoladavid.com/literatura/bertold-brecht/a-esperana-do-mundo

 

Hope is with you when you believe
The earth is not a dream but living flesh,
that sight, touch, and hearing do not lie,
That all thing you have ever seen here
Are like a garden looked at from a gate.

You cannot enter. But you’re sure it’s there.
Could we but look more clearly and wisely
We might discover somewhere in the garden
A strange new flower and an unnamed star.

Some people say that we should not trust our eyes,
That there is nothing, just a seeming,
There are the ones who have no hope.
They think the moment we turn away,
The world, behind our backs, ceases to exist,
As if snatched up by the hand of thieves.

Em http://www.poemhunter.com/best-poems/czeslaw-milosz/hope-558/

Czeslaw-Milosz

“Hope” is the thing with feathers –
That perches in the soul –
And sings the tune without the words –

And never stops – at all –

And sweetest – in the Gale – is heard –
And sore must be the storm –
That could abash the little Bird

That kept so many warm –

I’ve heard it in the chillest land –
And on the strangest Sea –
Yet – never – in Extremity,
It asked a crumb – of me.
Emily Dickinson.

Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
– Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
– Ela quase não tem corpo, queixei-me.
– Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
– Ela é burrinha, comentou o menino.
– Sei disso, respondi um pouco trágica.
– Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
– Sei, é assim mesmo.
– Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
– Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
– Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
– É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte…
– Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
– Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “e essa agora? que devo fazer?” Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

Em http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/07/uma-esperana.html

Ainda bem que no momento em que parecem perdidas as esperanças,
e ameaça o desespêro como um temporal,
apontas como uma ilha, e aporto à terra
para reabastecer de paz o coração…

J. G. de Araújo Jorge; Ilha; p. 75; Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou; Editora Theor S/A; São Paulo: 1970.

61096_24

Injeta sangue no meu coração, enche-me até o bordo
das veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até o fim o meu bocado terrestre,
sobre a terra
não vivi o meu bocado de amor. Eu era gigante de porte,
mas para que este tamanho?
Para tal trabalho basta uma polegada.

Com um toco de pena, eu rabiscava papel,
num canto do quarto, encolhido,
como um par de óculos dobrado dentro do estojo.
Mas tudo que quiserdes eu farei de graça:
esfregar,
lavar,
escovar,
flanar,
montar guarda.

Posso, se vos agradar, servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastante porteiros?
Eu era um tipo alegre,

mas que fazer da alegria,
quando a dor é um rio sem vau?

Em nossos dias,
se os dentes vos mostrarem não é senão
para vos morder ou dilacerar. O que quer que aconteça,
nas aflições,
pesar…

Chamai-me! Um sujeito engraçado pode ser útil.
Eu vos proporei charadas, hipérboles e alegorias, malabares
dar-vos-ei em versos. Eu amei… mas é melhor não mexer nisso.
Te sentes mal? Tanto pior…

Gosta-se, afinal, da própria dor.
Vejamos… Amo também os bichos –
vós os criais,
em vossos parques?

Pois, tomai-me para guarda dos bichos.
Gosto deles.
Basta-me ver um desses cães vadios,
como aquele de junto à padaria,

um verdadeiro vira-lata!
e no entanto,
por ele,
arrancaria meu próprio fígado: Toma, querido,
sem cerimônia, come!

Valdimir Maiakovski

Em http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/pagina_textos_autor.php?cdPoesia=79642&cdEscritor=2715&rdBusca=&tbTxBusca=

Não é a vida que eu queria
nem o mundo o que sonhei
Vida de paz e alegria
num mundo de uma só lei.
Mas me ensinaram, e guardei,
que após um dia há outro dia.
E rindo como poeta,
que riso é minha saúde,
fiz da alegria uma meta,
fiz da esperança virtude.

Mario Lago

De Mário Lago. Na Rolança Do Tempo.
Em https://pt-br.facebook.com/twitterbrasil/posts/10150742200268771

%d blogueiros gostam disto: